‘Ainda bem que não tem data’, diz Jô Soares após pichação que pedia sua morte

No Programa do Jô desta quarta-feira (24), o apresentador comentou o episódio das pichações em frente a sua casa, com a frase “Morra Jô Soares”, após entrevista com a presidente Dilma Rousseff. “Eu não posso deixar em branco, não posso deixar de comentar a frase que deixaram na calçada do meu prédio: 'Morra Jô Soares'. Eu ainda falei: 'ainda bem que não tem data'. Aquilo só fez assustar, realmente, as crianças do bairro”, disse Jô, que também agradeceu pelas manifestações de solidariedade recebidas após a ameaça, em especial o apoio do amigo Fernando Morais “que foi vítima também desse ódio fascista que repercute pelas redes sociais. Olha a frase que usaram contra ele: 'não aparece ninguém pra matar esse homem?'”. 

Sobre o acontecimento, o humorista chegou a comparar aos tempos da ditadura, lembrando de um episódio, quando retornou à casa e encontrou as paredes sujas de ‘sangue’.  “Olha, isso me lembra um pouco dos tempos da ditadura. Uma vez eu morava em uma vila e, quando cheguei em casa, as luzes estavam cortadas, apagadas, e ai as paredes da casa banhadas de sangue. Quer dizer, era de tinta vermelha, mas como se fosse sangue. E tinha uma bonequinha, que era do meu sogro, uma estátua de mármore, uma menina com umas flores, banhada também de sangue, e escrito na parede CCC, que era a sigla do Comando de Caça aos Comunistas. As luzes cortadas e eu juro que fiquei com medo de entrar em casa”, contou o apresentador, que considera o comportamento “um fascismo total”.
 
Jô negou ainda os boatos de que teria reforçado sua segurança após as ameaças. “Eu não posso reforçar uma coisa que eu não tenho. Eu não ando com segurança. E espero que nem tenha porquê, porque a gente também não está ainda vivendo num clima de Estado Islâmico, né? Tá uma coisa terrível, e, por favor, essas pessoas que têm esse tipo de pensamento, reavaliem por tudo aquilo que o pais já passou e que não pode virar o chamado ovo da serpente”, concluiu.