Mais cedo do que se esperava o governador eleito, Antonio Carlos Magalhães, iniciou perigrinações pelos gabinetes e Ministérios de Brasília para assegurar recursos aos projetos que pretende implantar na sua administração. Esses périplos deverão ser constantes, no próximo governo, de sorte que haja recursos para aplicações em programas. Mas não somente em relação ao governo federal. O governador eleito pretende utilizar as poucas fontes de financiamento internacionais, principalmente o BIRD e o Banco Mundial, que dispõem de programas para áreas específicas, como agropecuária. Há, por exemplo, à disposição do Estado da Bahia cerca de US$ 240 milhões na Coordenadoria de Ações Regionalizadas, CAR, que até aqui não foram utilizados, não por falta de projetos, mas por não cumprimento de todo o rito burocrático exigido pelo organismo financeiro internacional.
Não serão, porém, muitas as fontes de recursos para as unidades federadas, pelo menos, no próximo ano. Com relação aos recursos externos, as dificuldades são maiores, em razão do impasse estabelecido sobre o pagamento da dívida externa brasileira, que terá que ter uma solução até o final de dezembro, sob pena de o País sofrer um asfixiamento muito maior do que ora experimenta.
Duas áreas que terão prioridade na próxima administração para investimento de recursos serão educação e saúde. Em ambas há pretensões de inovação. No seu segundo governo, Antonio Carlos implantou escolas polivalentes no estado que, no entanto, não ofereceram os resultados esperados. Agora ele quer, tanto para esse setor como para a saúde, algo novo, daí o cuidado para a escolha dos secretários que respondam a essas preocupações.
Aliás, as consultas para a formação do primeiro escalão já se iniciaram, em círculos restritos. Embora o anúncio, conforme prometido, só seja feito em janeiro, a formação de um secretariado jovem tem sido uma preocupação de Antonio Carlos. Ele se defronta com dois problemas: o primeiro, óbvio, encontrar pessoas competentes dentro de um perfil que será a marca da futura administração e, segundo, a questão da remuneração. O problema, nesse último aspecto, é que o estado já não possui um bom quadro, diante da remuneração baixíssima que oferece. Nesses últimos tempos, houve um verdadeiro êxodo de bons profissionais do serviço público para a iniciativa privada, que remunera de forma infinitamente maior. Como pagar para ter bons técnicos, esse é um dos problemas do futuro governador.