Peluso defende julgamento do mensalão, logo

O ministro Carlos Ayres de Britto assumirá a presidência do Supremo Tribunal Federal substituindo a Cezar Peluso. Polêmico, Peluso é o inverso de Ayres Britto, tido como um dos melhores integrantes da Suprema Corte. Peluso, no entanto, deixa o cargo e, com ele, uma entrevista de primeira linha concedida ao jornal Folha de S. Paulo. Defendeu, como está a acontecer com a esmagadora maioria dos ministros, exceção para Ricardo Levandowski, revisor do processo sobre quem recaem todos os holofotes, um rápido julgamento do Mensalão. Talvez seja o maior processo da história do Supremo, com 37 réus, entre eles José Dirceu, tido como o principal articulador do escândalo, quando chefe da Casa Civil de Lula. Peluso disse que “o caso do mensalão precisa ser julgado rapidamente por três razões: para não interferir nas eleições, não correr risco de prescrição e porque "a opinião pública pressiona muito". Alfinetou Levandowski: se eu fosse ele "procuraria ser o mais expedito possível para me livrar desse constrangimento". Mas há problemas. O PT e o ex-presidente Lula estão em campanha para que o julgamento não aconteça este ano. Espera a prescrição de crimes. Em sentido oposto, está a pressão extraordinariamente forte da opinião pública e uma incansável vigilância da imprensa. Aliás, as pedras no caminho não se limitam ao Mensalão, mas, também, à CPI de Cachoeira. Já existem dúvidas sobre ela, porque é desconhecido o número de assinaturas de parlamentares para a sua realização. O problema é que o PT virou a casaca e agora já não tem interesse que seja realizada. Pior para o partido. Como a CPI ganhou corpo e é aguardada em função dos fatos que chegam ao público, passa ser um peso para a legenda se for responsável por transformá-la em pizza. Em ano eleitoral, sobretudo. Nas próximas horas teremos maior visibilidade sobre a questão.