Carnaval pode ter transmissão exclusiva na TV; Proposta será estudada pela Câmara

Ainda não tem prazo para ser discutido, mas um dos pontos do relatório da Comissão do Carnaval de propostas para mudanças na festa – entregue nesta segunda-feira (23) ao prefeito ACM Neto (DEM) – promete mexer com um setor importantíssimo do evento: transmissão televisiva. Entre os itens do documento elaborado após o seminário “Panorama Carnaval de Salvador”, realizado pela comissão especial que trata do assunto na Câmara Municipal, estão duas possibilidade de reformulação na forma de veicular a folia, pelas redes televisivas, para o Brasil e para o mundo. Uma delas é a transmissão exclusiva por apenas uma emissora, como ocorre com o Campeonato Brasileiro, que é comprado pela Rede Globo. No modelo, a emissora tem a prerrogativa de ceder os direitos de transmissão para concorrentes, mas detém a exclusividade, assim como aconteceu no Rock in Rio. A outra proposta é de estabelecer um pool de geração de imagens, formato em que as empresas compartilham as gravações, como aconteceu na visita do papa Francisco ao Rio. Assim sendo, cada uma poderia negociar até espaços onde teria exclusividade, como o Centro Histórico, por exemplo. Em entrevista ao Bahia Notícias, o autor do relatório sobre as propostas de mudanças na festa, vereador Cláudio Tinoco (DEM), adiantou que serão convocadas audiência públicas para tratar do tema. Por um lado a prefeitura pode aumentar a arrecadação com a festa, mas também pode perder tempo de mídia espontânea, que hoje chega a 255 horas, durante sete dias de folia, na soma da transmissão de todas as TVs.
 

Foto: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias

“Queremos trazer a discussão de como é o modelo de transmissão do Carnaval de Salvador, que é aberto. Mas, sem dúvida, entendemos que essa perspectiva de exclusividade ou unificação pode ajudar na captação de patrocínio”, destacou Tinoco. Atualmente, as emissoras que transmitem a festa não têm de pagar pelo direito de imagem, somente pela montagem de estruturas. “Ela só paga o licenciamento das estruturas e faz o investimento próprio, montando os praticáveis, gruas e logicamente o investimento na tecnologia de transmissão. [...] As televisões investem, cada uma, na sua proporção e na infraestrutura para captação de imagem. E, para esse investimento, cada uma comercializa suas cotas de patrocínio. Uma emissora tem um banco, outra tem outro, por exemplo”, explicou o vereador. Uma das reclamações constantes dos anunciantes da prefeitura é de que praticamente não há visibilidade das marcas, pois as televisões privilegiam apenas os patrocinadores próprios e evitam, ao máximo, mostrar os concorrentes. No entanto, o ponto contrário à proposta é o fato de que “se a prefeitura tivesse que pagar por essas 255 horas de mídia espontânea, seria um valor incalculável”, como ressaltou o democrata. A mudança também atenderia a um desejo da prefeitura de aumentar a arrecadação com a festa, já que a promessa do secretário municipal de Desenvolvimento, Cultura e Turismo, Guilherme Bellintani, é de fazer o carnaval de 2014 com as finanças equilibradas. Em 2013, a prefeitura gastou R$ 30 milhões em serviços públicos e ganhou apenas cerca de R$ 11 milhões em patrocínio. Outras novidades da folia, que estão em um plano de inovação da gestão municipal, serão apresentadas no mês que vem.