Zé Eduardo - Apresentador

Traições, sucessão municipal e família são alguns dos assuntos que o apresentador baiano Zé Eduardo aborda na entrevista concedida a Coluna Holofote. Zé, conhecido popularmente como “Bocão”, diz não ter se arrependido de ter entrado na TV Aratu, porém fala da satisfação de estar, hoje, na TV Itapoan. Leia abaixo a entrevista na íntegra:

Coluna Holofote: Zé, conta um pouco de sua trajetória desde quando você era repórter esportivo até sua recente entrada na TV.
Zé Eduardo: Bem, eu comecei em 1988 fazendo rádio. Passei pela Rádio Bahia, Rádio Cultura, Rádio Bandeirantes e Itaparica FM. Em 1989, Varela e Pastori foram me buscar na Fonte Nova para fazer um teste na TV Itapoan, onde fui aprovado e fiquei até 1992. Fui para TV Bahia em 1992 e fiquei até 2000. Então eu pedi demissão na TV Bahia porque eu achava por bem seguir minha carreira e montar uma empresa. Montei uma empresa de assessoria de comunicação, a A Quatro. Paralelo a isso, resolvi voltar para o rádio e fazer o “Se Liga Bocão” na Transamérica. Em 2004 fui para 104 FM, mudei de estilo, pois o “Se Liga Bocão” virou um programa de denúncia popular. Aí a TV Aratu me chamou, onde permaneci até o ano passado, e agora eu vim para a Record.

CH: Sua saída da TV Aratu foi bastante conturbada. Especula-se muito sobre isso, mas vindo de você, o que foi que aconteceu?
ZE:
Acontece que eu tinha um contrato com a TV Aratu até 2011, porém eu errei nas contratações que fiz; pessoas que eu confiava cegamente resolveram me trair. A melhor reposta para essas pessoas é a admiração do povo e o carinho que o povo tem por mim.

CH: Você se arrepende de ter entrado na TV Aratu?
ZE:
Não, eu acho que a TV Aratu foi uma grande lição. Foi lá que eu descobri que eu tinha um “veia” na TV. Só tenho a agradecer a diretoria. Mas foi uma saída que, em minha opinião, foi tranqüila entre eu e a diretoria, e o que importa é isso. As portas continuam abertas para mim.

CH: Como foi sua ida para a TV Itapoan?
ZE:
A TV Itapoan, através do diretor Fabiano Freitas, já estava atrás de mim há um ano e meio. E eu sempre pedia calma, porém não deu mais. Eu vim e fizemos um contrato.

CH: Qual foi a oferta da TV Itapoan para contratar o Bocão?
ZE:
Foi uma boa oferta. O dobro do que eu ganhava lá [TV Aratu]. E ainda com a liberdade de eu fazer o que quiser, com limites, é claro. Quando eu vim para cá diziam que eu não ia conseguir fazer a terça parte do que eu fazia na outra emissora. Estou provando que eu faço muito mais.

CH: Sua ida para a TV Itapoan foi uma realização somente profissional ou pessoal também? Porque?
ZE:
Foi uma realização pessoal também, porque foi aqui que tudo começou.

CH: É verdade que você fez um teste na TV Itapoan e não foi aprovado?
ZE:
É, sim. Fiz um teste aqui em 2003 para um programa pela manhã. Fiz doze pilotos e não fui aprovado. É normal né?

CH: Muito se diz sobre a qualidade do “Se Liga Bocão”. Você acha que o programa tem um teor apelativo?
ZE:
O que eu falo é o seguinte: o “Se Liga Bocão” é a cara do povo na TV. Não dá para mentir, o povo é isso aí. Eu não estou inventando; não estou pondo artistas; não estou pagando para o cara brigar com o vizinho. Eu apenas mostro a realidade. É um programa popular e o povo está aceitando e está gostando, e a prova disso é que é a maior audiência no horário. Eu chego dar picos de 30 pontos e média de 26, então eu fico muito feliz. Eu não acho que seja apelativo; é a vida real. O que o povo faz não é apelativo, e sim a novela do dia-a-dia. É a mulher que quer voltar para o marido; é a mãe que quer internar o filho; é a menina que roubou um saco de leite e quer sair da prisão. São coisas do cotidiano da vida que a gente recebe e-mails e vai fazer; não tem história. É a verdade, não dá para mentir. Eu não coloco baixaria no ar, eu não forço nada. Tem uma coisa muito forte que são as promoções que a TV Itapoan faz. Graças a diretoria eu tenho muita abertura para fazer promoções para dar carros de cachorro-quente, mil reais por dia. As promoções ajudam bastante.

CH: Você esperava esse sucesso?
ZE:
Sinceramente eu esperava, mas não assim tão rápido. Eu ainda vou fazer quatro meses aqui na TV Itapoan e tem exatamente 4 meses que o programa é líder de audiência no horário. Você bater a Globo no horário de 13 horas; concorrer com o Vídeo Show, com o Globo Esporte e com o Jornal Hoje não é brincadeira.

CH: Como você se sente falando para públicos diferentes na Transamérica e na Rádio Sociedade?
ZE:
Na Transamérica você fala com público classe A/B. Universitários, advogados e médicos ligam para bater, criticar, falar da prefeitura, do governo, do país, das enquetes. A Transamérica traça o perfil muito jovem, de festa. Já na Rádio Sociedade é a classe mais carente de Salvador, o público C, D e E. O público que já está na beira do abismo e que está esperando uma mão, e é o papel que faz a Sociedade; um trabalho social muito forte. Às vezes a cabeça dá choque, mas você tem que tratar isso.

CH: Sabe-se que você e Varela se conhecem há muito tempo. Qual sua opinião sobre o papel dele na TV Baiana?
ZE:
Um papel importantíssimo e para ser respeitado. Varela tem 30 anos na comunicação baiana. Você ficar 30 anos combatendo a Globo, como ele combate no Ibope, só pode ser um mito. Varela é uma realidade e não tem mais nada a provar a ninguém.

CH: Quem você acha ser o candidato mais preparado para assumir a Prefeitura de Salvador?
ZE:
Eu acho que eu queria ver alguém novo; uma pessoa nova na Prefeitura de Salvador. Temos bons candidatos como Imbassahy, e o ACM Neto que é uma realidade como Deputado Federal; João Henrique tem a máquina ao seu favor e Varela tem o apoio do povo, é uma coisa diferente. Sinceramente, mas eu quero ver uma coisa nova, que tenha força e que o povo possa determinar alguma coisa, porque o que você vê aí é uma mesmice em que não temos nem o que falar.

CH: No cenário atual, quem você acha que ganharia as eleições?
ZE:
Eu ainda não vi uma pesquisa definida. Está meio embolada a situação de Varela com Neto, Imbassahy e Pelegrino, que já assumiu a pré-candidatura. Eu não sei; eu prefiro esperar uma outra pesquisa para poder falar.

CH: Você se candidataria a algum cargo eletivo?
ZE:
Não. Eu não vou falar nunca porque Fernando José disse que nunca ia ser candidato a nada e, um belo dia, ele apareceu como prefeito de Salvador e não pôde governar do jeito que ele queria. Eu não posso falar que dessa água eu nunca beberei. Se um dia houver um plebiscito na porta da emissora para me carregar e me levar eu vou, porque eu só acredito no que o povo quer. Eu não acredito em pesquisas. Se o povo quiser a gente dá um jeitinho, me carrega e me bota lá. Fora isso, eu acho muita consumição e muita dor de cabeça.

CH: Zé, quando você foi para a TV Itapoan houve uma homenagem em que sua mãe te emocionou muito. Você é uma pessoa que se apóia muito na família? Qual o papel da família no seu desenvolvimento profissional?
ZE:
90% de importância. Eu acho que o homem só tem sucesso quando tem a família do lado. Veja o caso de Ronaldinho: saiu com travesti sabendo o homem público e o fenômeno que é. As pessoas se perguntam qual o motivo ele teria para sair com travesti? É a falta da família, falta da mãe e de um pai. Eu acho que mãe é fundamental. Eu estou todos os dias com a minha, almoço com ela, saio todos os domingos com ela. Minha relação com a família é 90%.

CH: Você já bateu no teto, ou seja, chegou onde tinha que chegar?
ZE:
Rapaz, não. A gente nunca pode se contentar. Eu acho que na TV Itapoan eu ainda tenho um rio inteiro para nadar. O programa exige de você 24h de atenção, mudança de quadros, intensificar o lado social. Não podemos cair na mesmice. Ainda tem muito rio para correr aqui na Record, pois tenho um contrato até 2011 para cumprir aqui. Minha relação com os funcionários e com toda equipe é muito boa e eu estou muito feliz. Trabalhamos 24h sem parar pensando no programa e pensando no sucesso da TV Itapoan.

Por Rafael Albuquerque