Emmerson José fala como é trabalhar com programas populares, sobre política e do seu lado roqueiro

Nascido e criado em Belo Horizonte, o comunicador Emmerson José deixou a sua cidade natal em 1985 para adotar Salvador. E ele adotou e foi adotado. Estreando sua trajetória nos microfones da rádio Transamérica, ele deixou por um tempo a sua carreira de radialista e foi eleito pela população soteropolitana, por três vezes, vereador da cidade. Em sua carreira política, Emmerson acumula ainda quatro anos no comando da presidência da Câmara dos Vereadores. Porém, apesar do sucesso na política, ele deixou seu lado comunicador falar mais alto e voltou com tudo para o povo, através do programa "Fala Bahia", que completa dois anos com uma audiência de sucesso. 

 


"Para mim é uma satisfação muito grande poder atender ao povo"



Coluna Holofote: Como começou a sua história com o rádio?
Emmerson José:
Quando em cheguei em Salvador em 1985, na realidade, eu trabalhava em banco, mas aí, eu comecei a gostar de rádio, a tomar gosto, porque eu sempre fui ouvinte das rádios lá em Belo Horizonte, eu sempre gostei. Então, comecei a tomar gosto por rádio, andava muito na Transamérica, conheci várias pessoas lá e fui ajudado por essas pessoas.



CH: Então, você só começou a trabalhar com rádio aqui em Salvador?
EJ:
Foi sim, aqui em Salvador, na Transamérica FM. Depois eu recebi uma proposta, fui para a Aratu FM e da Aratu FM eu vim para a Globo FM. Quando eu entrei na Globo FM, o prédio ainda estava sendo construído e eu fui contratado antes da rádio entrar no ar. Daí por diante, são 22 anos de rádio.

CH: E como você entrou para a televisão?
EJ:
Quando eu estava na Globo FM, eu comecei a gravar algumas coisas para a TV Bahia, como “Bahia Acontece”, alguns comerciais e aí fui chamado para fazer um piloto para o BA TV segunda edição, na época. E aí Carlos Libório, que era diretor na época, ele me deu essa chance e me chamou. Acabei ficando aí por 8 anos. Juntando com os 2 anos do “Fala Bahia”, coloca aí 10 anos de televisão.

CH: Você está comandando o programa “Fala Bahia”, que é veiculado tanto na TV quanto no rádio e é um programa popular. Como é fazer rádio e TV populares?
EJ:
É muito bom. Eu acho que o “Fala Bahia”, o projeto “Fala Bahia” já foi um projeto ousado, ou seja, fazer um programa popular sem ser popularesco e prestar serviço à comunidade, à sociedade. E numa área onde tem programas de televisão, por exemplo, de grande audiência hoje. Nós temos vários tipos de programas populares, programas esses que eu respeito, mas eu tentei fazer um programa diferente e eu acho que tenho conseguido. E para mim é uma satisfação muito grande poder atender ao povo, ajudar as pessoas, conversar com elas, poder conversar com os políticos. O programa é super pluripartidário, totalmente desvinculado de “X” ou “Y”, é um programa altamente democrático e um programa onde sempre tem um microfone liberado para aqueles que são criticados ou pela editoria do “Fala Bahia” ou pelo ouvinte.

CH: Quais são os horários do programa “Fala Bahia”?
EJ:
Na TV Salvador é às sete e meia da noite, com reprise às 10 da noite e na rádio, ele vai ao ar às seis da tarde.

CH: E como é que está a audiência do programa?
EJ:
Olha, na rádio, o último Ibope que nós recebemos aqui, o nosso programa de seis às sete da noite na Bahia FM, a audiência nos colocava em 2º lugar, perdendo apenas para a Piatã FM, em todas as classes sociais. Na televisão já é uma audiência diferente porque é uma TV fechada, mas eu tenho o público que eu quero. Eu estou satisfeito com a audiência da TV Salvador.

CH: Você saiu da TV para seguir carreira política. Você se arrepende de ter deixado a TV para ser vereador?
EJ:
Não. Não me arrependo de nada. Eu acho que talvez eu me arrependeria se não tivesse feito isso. Foi uma experiência para mim muito produtiva, bacana, eu gostei de atuar como vereador, como síndico da cidade, eu fui o presidente da Câmara mais novo da história da Câmara e fui presidente de lá por quatro anos. Depois deixei a presidência e ainda segui por mais quatro anos como vereador normal, então, para mim, foi uma grande experiência.

CH: Pois é. Pelo que você disse aí, você teve uma carreira de sucesso na política. Por que desistiu?
EJ:
Chegou um momento em que eu falei assim “vou ter que tomar outro rumo agora”. Me deu vontade de voltar para o rádio, para a televisão, acreditei nesta proposta do “Fala Bahia”, e eu conversei com a Rede Bahia por muito tempo, muito mesmo, negociando essa minha entrada na Rede Bahia, porque eu queria entrar, mas tendo condições de trabalhar numa linha editorial independente, numa linha editorial virada para a população, virada para a cidade, para o estado e eu acredito que nós conseguimos isso. O programa faz dois anos 18 de junho e eu fico surpreso e agradeço muito aos ouvintes e telespectadores, à minha equipe muito boa de trabalho, essa audiência nesse tão pouco tempo.

CH: Mas por que lhe deu essa vontade de abandonar a política? Aconteceu algum fato que tenha lhe motivado?
EJ:
Não, não... Não teve, não. Eu cansei um pouco. Eu acho que o que eu tinha que fazer lá na Câmara, como vereador, eu fiz. Não dava mais para ficar, entendeu? Eu acho que tem que haver uma renovação. Eu não sou aquele homem que quer quatro, cinco, seis mandatos não. Em todos os locais, em todo emprego, em toda administração público, tem que haver uma renovação e eu achei que era a hora d’eu sair da Câmara.

CH: Você tem alguma pretensão de voltar para a política?
EJ:
Olha, eu só voltaria para a política mesmo, primeiro se houvesse realmente uma vontade, por exemplo, dos meus ouvintes, dos meus telespectadores, dos meus eleitores e se me colocassem a bola na marca do pênalti e mandassem eu bater o pênalti, porque uma eleição é algo muito difícil. Porque não dá, não dá para você disputar uma eleição com gente que tem muito dinheiro, com gente que tem muitas prefeituras. Tem gente que me pergunta quando é que eu vou sair deputado. Como é que eu vou sair deputado? Como? Qualquer campanha é muito cara. Eu só sairia mesmo se eu tivesse condições e se eu soubesse que eu poderia realmente trazer algo a mais para o cidadão, porque não adianta ser um deputado comum, não adianta assumir o cargo e dizer “eu sou deputado”. Tem que assumir e fazer algo, como eu fiz na Câmara e deixei minha marca lá, tenho certeza disso.

CH: Vamos falar um pouco da pessoa que existe em Emmerson José. Você já foi roqueiro, não é?
EJ:
Já. Eu gosto muito de rock. Meu primeiro disco, um vinil, era de rock que meu pai me deu e o primeiro disco que eu comprei quando eu comecei a trabalhar como office boy lá em Belo Horizonte foi um disco do “Deep Purple”. Então, eu sempre gostei de rock na minha vida, tanto nacional quanto internacional. Agora, minha mente é aberta para todos os segmentos musicais. Adoro MPB também, adoro a pop music, adoro essas bandas novas que surgiram nesses últimos 10 anos, como Jota Quest, Skank, Pato Fu, acho que são bandas bacanas. Eu gosto da boa música.

CH: E você sente saudade do seu tempo de roqueiro?
EJ:
Não. Eu mato a saudade em casa, ouvindo meu “Deep Purple”, meu “Led Zeppelin”, meu Legião Urbana, eu mato a saudade. Essa coisa de música, música é eterna, ela sendo boa, ela é eterna, não tenho dúvida. Não ouço música descartável, isso eu não ouço.




"Eu já me considero um 'baianeiro'"


CH: Sendo de Belo Horizonte, você acha que o seu sotaque de mineiro te atrapalha em alguma coisa ou, até mesmo, te incomoda?
EJ:
De jeito nenhum. Eu procuro, quando eu estou fazendo o programa, tanto da rádio quanto da televisão, fazer sem nenhum sotaque, nem sendo de Minas, nem sendo da Bahia. Eu já me considero um “baianeiro”, aliás, eu fui adotado pelos baianos. Tudo que eu tenho na minha vida hoje, eu devo aos baianos, eu me sinto muito baiano, eu me sinto adotado e a adoção é um ato de amor maravilhoso! Tenho título de cidadão baiano, tenho título de cidadão da cidade de Salvador, mas, mais do que nunca, o que eu mais amo nessa terra aqui é a população, o povo de Salvador. Não tem povo que receba tão bem como o povo baiano, em especial o soteropolitano.


Por Fernanda Figueiredo