Munhoz e Mariano: 'A música Camaro Amarelo tem mais força, hoje, que o nosso nome'

Com quatro anos de estrada, a dupla Munhoz & Mariano conversou com a Coluna Holofote e comentou a fusão do sertanejo com o arrocha. Munhoz e o quê? Verdade. Ficou faltando a apresentação. Munhoz & Mariano, os meninos do “Camaro Amarelo”. Devidamente apresentados, vamos dar continuidade. Pela primeira vez no Nordeste, os meninos do Mato Grosso do Sul fizeram um show na Costa do Sauípe, durante o Sauípe Fest e, após abrir a última noite do evento, bateram um papo com esta coluna e falaram sobre a decadência de Goiás, antes era tido como o celeiro de sertanejos, como difusor do ritmo. “Até então, era o Goiás que costumava exportar música sertaneja, e agora não. A gente teve vários artistas que saíram, consecutivos, do Mato Grosso do Sul e acabou voltando os olhos de todo o Brasil para o nosso estado”, diz a dupla. Além disso, os meninos explicaram porque cantam arrocha, mas se intitulam cantores de sertanejo e comenta fim do sertanejo de raiz. Confira o bate-papo na íntegra!

Coluna Holofote: Vocês são bem jovens. Quanto tempo têm de estrada?

Munhoz & Mariano: De formação de dupla a gente vai fazer oito anos, mas, profissionalmente, a gente tem quatro anos. Antigamente a gente tocava, simplesmente, para tomar uma cerveja, para se divertir. Mas a gente dedica nossa vida exclusivamente à música há quatro anos.

CH: Sempre vocês dois?

M&M: Sempre.

CH: Vocês são irmãos?

M&M: Como se fosse. Somos vizinhos de infância.

CH: De onde vocês são?

M&M: Somos de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

CH: Antigamente, era Goiás quem fabricava as duplas de sucesso do sertanejo. Agora, vem de qualquer lugar, não é? Como foi que veio a vontade de tocar sertanejo?

M&M: Sim. O nosso estado é muito sertanejo. A gente cresceu ouvindo Zezé Di Camargo & Luciano, Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo. Então, o nosso estado sempre teve uma tradição muito sertaneja e, de um tempo pra cá, o nosso estado ganhou um nome assim... De novo celeiro da música sertaneja. Porque, até então, era o Goiás que costumava exportar música sertaneja, como você falou e agora não. A gente teve vários artistas que saíram, consecutivos, do Mato Grosso do Sul e acabou voltando os olhos de todo o Brasil para o nosso estado.

CH: Como quem, por exemplo?

M&M: Saíram de lá, consecutivamente, João Bosco & Vinícius, Michel Teló, Maria Cecília & Rodolfo, Luan Santana, uma galera. Então, nosso estado acabou criando esse rótulo de "novo celeiro sertanejo".

CH: Vocês disseram que cresceram ouvindo Zezé Di Camargo, Leandro & Leonardo, que tocam sertanejo de raiz. Mas o sertanejo de vocês é bem diferente...

M&M: Nosso sertanejo não é um sertanejo de raiz, porque a música vai evoluindo, vai se inovando a cada dia. E isso acontece em todos os estilos. Toda música passa por mudanças e o sertanejo universitário é tido hoje como a música mais tocada em todo o país. O sertanejo universitário conseguiu quebrar esse tabu de preconceito musical e hoje a música sertaneja consegue abranger vários estilos em uma música só, como o arrocha que puxa um pouco aqui do Nordeste, por exemplo.

CH: Pois é. Os jovens cantores sertanejos estão todos seguindo essa coisa de universitário. Não corre o risco de o sertanejo de raiz se perder no tempo, então?

M&M: Acho que não. Porque nós inovamos, mas a raiz fica, que é o começo de tudo. E quando você tem uma raiz, não se perde jamais.

CH: Vocês devem o sucesso de vocês ao "Camaro amarelo"?

M&M: Na verdade, a gente já vinha em um trabalho muito bacana há um tempo atrás e a gente acabou vencendo a Garagem do Faustão, em 2010, com a música “Sonho Bom”. Foi a nossa primeira aparição em nível nacional. Aí a gente lançou nosso DVD e foram várias músicas, que caíram no gosto da galera, como “Te Quero Bem”; “Um Final de Semana”, mas a música que deu maior destaque para Munhoz & Mariano foi “Eu Vou Pegar Você e Tãe” e a “Camaro Amarelo” veio para massificar, foi a que deu aquele “boom”, que a galera fala que explodiu.

CH: Aqui, a gente chama vocês de...

M&M: De Camaro Amarelo. Nós sabemos disso. A música hoje, a gente pode dizer até que é mais forte que o nome Munhoz & Mariano, entendeu? Como você disse, muita gente associa, não sabe o nosso nome, mas sabe que é a dupla do “Camaro”. A música tem um pouco mais de força do que o nosso nome.

CH: Quando eu entrevistei Gabriel Gava, ele me falou que o sertanejo dele é universitário, mas esse sertanejo universitário se confunde com o arrocha daqui.

M&M: São as tendências, não é? Eu acho que a música é muito por modinha. Eu acredito que até um tempo atrás, era o funknejo que tinha esse lance de misturar o pessoal do funk com o sertanejo e dava essa batida de misturar dois estilos. Agora tem o arrocha no sertanejo, também, que trouxe essa pegada mais do Nordeste.

CH: Tem uma pegada total de arrocha! Então, por que vocês não se intitulam cantores de arrocha? É menos comercial?

M&M: Não é isso. Nós somos sertanejos. Em nosso repertório tem apenas umas duas ou três músicas desse caso de misturar sertanejo com arrocha. Aliás, só tem a Camaro amarelo que é um arrocha, realmente.

CH: ‘Eu vou pegar você e tãe’ também tem arrocha...

M&M: Você está enganada. “Eu vou pegar você e tãe” está mais pro batidão, não tem arrocha.

CH: Eu ouvi o show de vocês e vocês cantaram “180 180 360”, que é um arrocha. Aliás, muitas músicas no repertório de vocês que puxam o arrocha...

M&M: Sim, são músicas que a galera gosta e a gente inclui em nosso repertório, mas não são músicas de Munhoz & Mariano. São músicas de outros artistas, que estão estouradas, na boca da galera, agrada ao público e a gente traz pro nosso show pra galera curtir. De arrocha, a gente só tem “Camaro amarelo” mesmo.

CH: Vocês acabaram de fazer o show aqui no Sauípe Fest e foi a primeira vez de vocês no Nordeste. Como foi a receptividade do público baiano?

M&M: Para a gente foi incrível! A gente não sabia que o nosso trabalho estava sendo reconhecido aqui e foi nosso primeiro show aqui no Nordeste. Pra gente foi muito importante, ainda mais, aqui no Sauípe Fest, que é um evento de grande credibilidade no Brasil todo. Então, a responsabilidade foi ainda maior. Além do mais, a gente dividiu o palco com bandas como o Chiclete com Banana, o Psirico, que a gente sabe que são reis aqui no Nordeste. Então, pra gente, a responsabilidade aumentou mais ainda. Mas foi muito gratificante e a gente só tem a agradecer a todo mundo que acreditou e deu essa oportunidade pra gente.

CH: Quem, aqui na Bahia, é referência de artista para vocês?

M&M: Tem vários. Nós gostamos muito do axé, de música baiana. Tem a Ivete Sangalo que é... É fantástica! Tem Leozinho Santana, do Parangolé, que nós adoramos as músicas dele. Gostamos demais do... Vixe! A gente sempre ouviu muito as músicas do Harmonia do Samba... Vixe Maria! Tem muita coisa aí... Se for citar todo mundo.