A música instrumental baiana vai bem, obrigado. Está aí o viçoso (visto que experiente) trio Retrofoguetes que não nos deixa mentir, nem aderir ao pessimismo. Ao contrário. Juntos, Morotó Slim (guitarra), CH Straatman (contrabaixo) e Rex (bateria) fazem uma música onde diversas referências sonoras (do tango ao mambo ao jazz à surf music) se combinam para formar uma impecável coerência. A música banda é forte e bem humorada. Ali onde o apuro técnico (+ o impressionante entrosamento) não descartam o improviso, o espontâneo e o humorado. Seu último álbum, Chachachá (2009 - Indústrias Karzov - Independente), foi lançado no palco do Teatro Castro Alves e recebeu indicações para o Vídeo Music Brasil - VMB 2009 e elogios de muitos críticos e revistas especializadas. Favor nenhum. Nesta entrevista rápida e caceteira (via email), a banda avalia as casas de show soteropolitanas, a cena local, os downloads gratuitos e outros lances. Leiam:
Coluna Entretenimento: – O último álbum da banda, Chachachá, foi muito bem recebido pela crítica, mas já tem dois anos de lançado. Vocês estão preparando disco novo?
Retrofoguetes: - Sim, estamos preparando novo material, ainda em fase de composição. Pretendemos entrar em estúdio no segundo semestre.
CE: – Como foi a transição entre a Dead Billies e a Retrofoguetes?
Retro: - Tranqüila e natural. Com o fim dos Dead Billies, os músicos partiram para um novo projeto. Ainda nos primeiros meses de formação do Retrofoguetes eu [CH Straatman] ingressei como baixista e passamos a compor juntos para o disco "Ativar Retrofoguetes!" Já se vão quase 10 anos de Retrofoguetes.
CE: – Como vocês avaliam a recepção do público com uma banda de rock instrumental da Bahia?
Retro: - Tem sido ótima e temos sempre uma grande resposta do público. Em Dezembro realizamos nossa primeira turnê internacional, fizemos algumas datas na Argentina e ficamos impressionados ao saber que muitas pessoas já nos conheciam.
CE: – Muita gente reclama da falta de casas de show em Salvador e criticam a estrutura das poucas que existem por aqui. Qual a opinião de vocês a respeito disso?
Retro: - A falta de espaços é um problema em Salvador. Uma cidade como esta, considerada um pólo cultural, merece maior investimento nessa área. E incentivo do governo também, para que as casas possam se manter. O público também precisa prestigiar mais seus artistas e acabar com a cultura de não se querer pagar ingressos. Se faz necessária a especialização de profissionais da área cultural também. Então existe toda uma cadeia relacionada para fazer a coisa fluir adequadamente.
CE: – Recentemente temos acompanhado as discussões do Ministério da Cultura a respeito da questão do direito autoral. Qual o posicionamento de vocês sobre o assunto? A banda é a favor de download gratuito de músicas?
Retro: - Alguns dados mostram que o download de músicas não interfere na venda de discos de bandas independentes. Acho difícil uma mudança sobre a questão do download, as tecnologias estão aí para quem quiser e é uma forma de levar o trabalho de um artista a todos os cantos, democratizando os meios. Somos a favor e disponibilizamos em nossa página no Reverbnation (www.reverbnation.com/retrofoguetes). Em relação aos direitos, achamos que a grande preocupação de fato está focada no ECAD, que é o órgão de arrecadação de direitos autorais. Os artistas pedem uma maior transparência das atividades do ECAD.
CE: – A Retrofoguetes foi a primeira banda de rock baiana a lançar um álbum no
Teatro Castro Alves. Qual a sensação de tocar para uma platéia sentada e sob
a aura do TCA, um espaço centrado em shows de MPB?
Retro: - Foi incrível e realizamos um sonho. Nosso público estava em peso para nos prestigiar e caprichamos na produção. Como dizem por aí, é um "palco sagrado".
CE: – Uma nova geração de bandas tem surgido no cenário soteropolitano. Que banda chama mais a atenção de vocês e como vocês avaliam a atual cena?
Retro: - A Vivendo do Ócio tem um trabalho consistente, e os meninos dizem pra que vêm. O grande lance da nossa terra é a capacidade de sempre apresentar novidades radicais, diferentes e criativas. Acho que o maior desafio está na maior profissionalização dessa cena como um todo e na sustentabilidade desses grupos.
CE: – Como o som da banda dialoga com a musicalidade baiana, especialmente em relação ao Axé?
Retro: - Respeitamos os profissionais que estão realizando seus trabalhos no mercado da Axé Music, não temos problemas com isso. Música baiana é tudo o que se faz e se cria aqui. Com relação a isso, sempre existe algo a se aprender, pois temos uma tradição artística muito rica.
CE: – Alguns fãs reclamam que o repertório dos shows varia muito pouco. Vocês concordam com isso?
Retro: - Com dois discos autorais, um com 19, o outro com 14 faixas, um projeto anual especial de natal, com um disco de releituras de canções natalinas, um projeto de frevo elétrico e guitarra baiana com um repertório de 40 músicas (Retrofolia)... Fora os temas de outros autores que resolvemos interpretar em nossos shows. Somos capazes de fazer um show de 4 horas sem repetir uma música... Não sei, o que você acha?
CE: – Se vocês pudessem ser heróis de revistas em quadrinhos, quem vocês escolheriam?
Retro: - Cara, temos grande influência de quadrinhos em nosso trabalho, é algo que faz parte do nosso universo desde crianças. Em termos de superpoderes, que tal um Super Skrull (guerreiro alienígena que ao receber o DNA de membros do Quarteto Fantástico adquire seus poderes, passando a ter força sobre-humana, controle do fogo, capacidade de criar campos de força e uma pele completamente elástica)?!?
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